MARIA BEATRIZ NASCIMENTO
Intelectual, ativista negra,
Maria Beatriz Nascimento foi contemporânea de Eduardo Oliveira e Oliveira,
Lélia Gonzalez, e Hamilton Cardoso.
Em 1942 nasceu em Aracaju,
Sergipe e, no final da década de 1940, migrou com a família para o Rio de
Janeiro. Em 1971 graduou-se em história pela UFRJ. Esteve à frente da criação
do Grupo de Trabalho André Rebouças, em 1974, na Universidade Federal
Fluminense (UFF), compartilhando com estudantes negros/as universitários/as do
Rio e São Paulo a discussão da temática racial na academia e na educação em
geral, a exemplo da Quinzena do Negro realizada na USP em 1977. Concluiu a
Pós-graduação lato sensu em História na Universidade Federal Fluminense, em
1981, com a pesquisa Sistemas alternativos organizados pelos negros: dos
quilombos às favelas.
Seu trabalho mais conhecido e de
maior circulação trata-se da autoria e narração dos textos do filme Ori (1989,
131 min), dirigido pela socióloga e cineasta Raquel Gerber. Essa película
documenta os movimentos negros brasileiros entre 1977 e 1988, passando pela
relação entre Brasil e África, tendo o quilombo como ideia central e
apresentando, dentre seus fios condutores, parte da história pessoal de Beatriz
Nascimento. Através dessa participação percebe-se outra face de suas
atividades: a poesia.
Ao longo de vinte anos, tornou-se
estudiosa das temáticas do racismo e dos quilombos, abordando ainda a
correlação entre corporeidade negra e espaço e as experiências de longos
deslocamentos socioespaciais de africanos/as e descendentes, por meio das
noções de "transmigração" e "transatlanticidade".
Seus artigos foram publicados em
periódicos como Revista de Cultura Vozes, Estudos Afro-Asiáticos e Revista do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Isto é, Jornal Maioria Falante e
Última Hora. Há também registros dela em entrevistas a jornais e revistas de
grande circulação nacional a exemplo do Suplemento Folhetim da Folha de São
Paulo, Revista Manchete, além de ensaios e poemas inéditos.
Morreu em 1995.
Fonte: Portal Geledés
LÉLIA GONZALEZ
Intelectual, política, professora
e antropóloga brasileira, Lélia Gonzalez nasceu em Belo Horizonte, em 1º de
fevereiro de 1935 e morreu em 10 de
julho de 1994, no Rio de Janeiro.
Autora dos livros “Lugar de
Negro”, Editora Marco Zero, 1982 (com Carlos Hasenbalg), “Festas Populares no
Brasil”, premiado na Feira de Frankfurt, mostrava neles os cenários da ditadura
política e da emergência dos movimentos sociais. Preocupava-se em articular as
lutas mais amplas da sociedade com a demanda específica dos negros e, em
especial das mulheres negras. Além dos livros, sua produção era também mostrada
em papers, comunicações, seminários, panfletos político-sociais, partidários,
que mostravam grande engajamento e muita reflexão.
Lélia Gonzalez preocupava-se com
os excluídos, tendo como principais referências as liberdades individuais e as
transformações sociais. Lélia sempre acreditou na possibilidade de se construir
uma sociedade solidária e fraterna e que, para tal, é preciso, além do
engajamento na luta política mais ampla, que os grupos não dominantes produzam
seu próprio conhecimento. É em razão disso que dedicou-se ao estudo das
culturas humanas, especialmente da cultura negra. Graduada em História e em
Filosofia, aprofundou estudos nas áreas da Antropologia, da Sociologia, da
Literatura, da Psicanálise, da teoria da Estética, da Cultura Brasileira, além
de ter-se dedicado profundamente à Ciência, Cultura e História africanas.
Seus escritos e palestras,
atuando contra o racismo e outras formas de discriminação, contribuíram para a
formação acadêmica e cidadã de muitos dos que com ela conviveram, considerando
que atuou nas universidades brasileiras por mais de 30 anos, até seu
falecimento. Em seus últimos dias, foi eleita, por reconhecimento de sua
competência, chefe do Departamento de Sociologia, da Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro. Quando faleceu, aos 59 anos, ainda tinha muito o
que fazer, o que escrever, o que falar/comunicar/ensinar.
Sua busca permanente e irrestrita
na direção do conhecimento é identificada pela capacidade de interpretação que
mostrou na crítica às ideologias e à hegemonia de dominação (de lógica
machista, branca e europeia) que sempre forçou o povo negro ao lugar de
submissão, de menor condição e capacidade. A capacidade transformadora de Lélia
Gonzalez sempre foi colocada na palavra, seguindo a oralidade ancestral
feminina negra.
Lélia Gonzalez é fundadora
(juntamente com outras/outros companheiras/os) do Movimento Negro Unificado
(MNU); do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras do Rio de Janeiro
(IPCN-RJ)); do Nzinga Coletivo de Mulheres Negras; do Olodum (Salvador).
Participou da primeira composição do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher
(CNDM), de 1985 a 1989.
Fonte: Portal Geledés
ABDIAS NASCIMENTO
Abdias Nascimento foi um dos pioneiros do movimento negro no
Brasil, se fazendo presente nas principais ações em favor da igualdade racial.
Ao longo de sua vida política conquistou vitórias que se refletem na atual
Constituição Federal. Em 1988 as discussões iniciadas por ele no Congresso
Nacional, garantiram que a Carta contemplasse, pela primeira vez, a natureza
pluricultural e multiétnica do país.
Uma vida dedicada à defesa da população negra
O jornalista, ativista e
ex-senador da República, Abdias Nascimento – falecido em 2011 aos 97 anos – , é
referência quando o assunto é igualdade racial. Nascido em 1914 na cidade de
Franca, localizada no interior de São Paulo, Abdias teve uma trajetória longa e
produtiva: participou do movimento integralista, passou pela Frente Negra
Brasileira, foi pioneiro em iniciativas no campo da cultura e ainda hoje é um
militante ativo no movimento negro.
Foi indicado em 2009 ao Prêmio
Nobel da Paz em função de sua defesa pelos direitos civis e humanos dos
afrodescendentes no Brasil e na diáspora africana.
Bacharel em economia, artista
plástico, ator e diretor teatral, criou na década de 1940 o Teatro do
Sentenciado, embrião do futuro Teatro Experimental do Negro (TEN), iniciativa
pioneira no país. O TEN revelou alguns
dos talentos da dramaturgia nacional como as atrizes Ruth de Souza e Léa
Garcia.
Foi professor emérito da
Universidade do Estado de Nova York e acumulou títulos de Doutor Honoris Causa
nas seguintes instituições de ensino superior: Universidade de Brasília,
Universidade Federal da Bahia, Universidade Estadual da Bahia e Universidade do
Estado do Rio de Janeiro. É também Obafemi Awolow na Nigéria.
Na carreira jornalística, foi
repórter do Jornal Diário e revisor do Jornal O Radical (1936). Foi também
repórter do informativo da Ação Integralista Brasileira. Entre 1946 e 1948,
atuou como repórter e colunista do Diário Trabalhista. Em 1947, na época em que
o Rio de Janeiro era a capital do país, filiou-se ao Sindicato dos Jornalistas
Profissionais do Distrito Federal (o atual Sindicato dos Jornalistas
Profissionais do Município do Rio de Janeiro).
Em 1948, fundou com os amigos
Sebastião Rodrigues Alves, Ironides Rodrigues e Aguinaldo Camargo o jornal O
Quilombo, cuja missão era atrair cada vez mais a comunidade negra na produção.
A publicação funcionou como um canal de expressão de grupos sociais que não
tinham voz nas fontes tradicionais de informações.
Na sua luta pelos direitos civis
e humanos de negros e negras brasileiro/as, Abdias Nascimento organizou eventos
históricos como o 1º Congresso do Negro Brasileiro (1950) e a Convenção Nacional
do Negro (1945-46), que propôs à Assembléia Nacional Constituinte de 1945
políticas afirmativas e a definição da discriminação racial como crime de
Lesa-pátria.
Após a promulgação do Ato
Institucional Nº 5 (1968), Abdias foi incluído em diversos inquéritos policiais
militares, acusado de fazer a ligação entre o movimento negro e a esquerda
comunista. Ao ser convidado para fazer um intercâmbio com o movimento
afro-americano, Abdias optou pelo exílio e ficou 13 anos fora do país.
Das inúmeras homenagens recebidas
ao longo da sua trajetória, destacamos, em 2006, o a mais alta honraria
concedida pelo Governo do Brasil, a Ordem do Rio Branco no grau de Comendador,
entregue pelo então Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Em 2008, o Conselho Nacional de
Prevenção da Discriminação, do Governo Federal do México, lhe ofereceu um
prêmio em reconhecimento à contribuição destacada à prevenção da discriminação
racial na América Latina.
O Ministério do Trabalho, em
2009, concedeu-lhe a Grã Cruz da Ordem do Mérito do Trabalho Getúlio Vargas. No
mesmo ano, Abdias recebeu o Prêmio de Direitos Humanos da Universidade de São
Paulo e o Prêmio de Direitos Humanos na categoria Igualdade Racial da
Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República do Brasil.
À Abdias Nascimento, nosso Axé!!
Conheça um pouquinho dessa personalidade assistindo ao
Documentário "Abdias: Raça e Luta", que retrata a trajetória do
professor, artista plástico, escritor, teatrólogo, político e poeta Abdias
Nascimento.
Fonte: Portal Geledés
http://www.geledes.org.br/atlantico-negro/afrobrasileiros/abdias-do-nascimento/14148-um-ano-da-passagem-de-abdias-nascimento-ao-orum



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